Tudinho aqui estava em liquidação, juro.
Olá, meu nome é Jennifer e eu sou uma consumidora compulsiva.
E minha compulsão não é nem ao menos seletiva. Não vou ao Fashion Mall e nunca nem entrei em lojas como Armani, Chanel e afins. Compro tudo que me interessa ou tenha vontade. Se acho uma calça bonita, não importa se ela é Collci, Ellus, C&A, Renner ou Riachuello.
E tem mais, se estou em dúvida entre uma blusa preta e uma branca? Pra que escolher se posso ter uma de cada cor?
Um lugar como a Uruguaiana é ter um mar de opções para produtos baratinhos. Aqueles que eu falo: "Ah, mas é só R$15". E de R$15 em R$15 em gasto mais de R$300. Jogos, fone de ouvido e aquelas coisinhas mínimas como porta-batons, porta-moedas.
Não preciso nem comentar sobre dvds né? É um caso a parte. Cada dia que eu passo pelas Americanas, ou Casa e Vídeo, ou olho sites de vendas eu vou encontrando itens "tem que ter" pra minha coleção. Claro que ela não cabe mais no meu armário, mas isso são detalhes. E alguns também sofrem da síndrome "são baratinhos". Essas promoções de R$12,90 têm o intuito de me falir.
Sapatos eu nem consigo falar sem ao menos dar um arrepio. Outra coisa que não me interessa o preço. Já comprei botas de R$490 que nunca usei, afinal moro no Rio de Janeiro, botas de veludo não são as melhores opções. Mas também compro sapatilhas de R$20. Arezzo, Andarella e Via Uno são lojas que foram concebidas com a única intenção de me deprimir. Mas se tiver um "tem que ter" em lojinhas populares eu não estou nem aí. Compro na boa.
Há uns 2 anos atrás eu era totalmente descontrolada. Meu salário era usado unicamente (juro) para pagar cartões de crédito. Eu tinha 4. Com limites estratosféricos. Claro, não preciso nem dizer que fiquei devendo em todos e que ainda hoje há dívidas que não foram pagas.
Eu não frequento mais shoppings todo santo dia e a última vez que entrei na loja da Via Uno foi no meu aniversário. Do ano passado. Esse ano me dei um celular de presente e nem ao shopping fui procurar, comprei pela Internet.
Claro que de vez em quando rolam recaídas. A última de sapatos que tive foi na Andarella e era um scarpin com salto de metal super "tem que ter". Cartão de crédito das amigas servem pra isso.
Sim, das amigas, porque eu não tenho mais cartão. NENHUM. E ainda não sei quando terei coragem de ter outro. Não confio em mim com esse objeto em mãos. Pra mim são mais perigosos do que beber uma garrafa inteira de tequila e dar de cara com o carinha pra quem você tá dando mole. Com eles eu faço estragos inimagináveis.
Não, não adianta mandar aquele #mimimi burguês preocupado de "podia usar seu dinheiro melhor", "ajudar a quem precisa", "você vai melhorar com o tempo". Não vou. Apesar de muita gente achar que esse é um problema de patty e afins eu logo digo: não sou rica. E não posso ter dinheiro em mãos, porque eu não vou sussegar enquanto não gastar todo. Juro. É mais forte do que eu.
Quando eu compro, tudo parece tão mais bonito. Sinto mais confiança em mim mesmo, como se eu realmente pudesse fazer qualquer coisa. Como se todo poder que há de haver estivesse nas minhas mãos, seja em dinheiro vivo ou em cartão.
O problema de sofrer de consumismo compulsivo é que ninguém nunca te leva a sério. Impressionante como as pessoas acham que prejudicial é só o que te afeta fisicamente.
Vou colocar da seguinte maneira, de uma vez por todas: consumidores compulsivos não compram o que precisam. Eles compram qualquer coisa. Você quer isso pra sua vida? Comprar qualquer coisa? Gastar o que você tem, e pior, o que você não tem, com produtos que você não tem nem onde guardar?
E já reparou como vivemos em um mundo onde o consumismo é incentivado? Cartazes que divulgam por aí que você NECESSITA daquele produto em sua vida? É contra esse marketing que tenho que lutar diariamente.
Quando eu compro, tudo parece tão mais bonito. Sinto mais confiança em mim mesmo, como se eu realmente pudesse fazer qualquer coisa. Como se todo poder que há de haver estivesse nas minhas mãos, seja em dinheiro vivo ou em cartão.
Se eu fosse rica, seria ótimo uma shopaholic. Mas não sou. Por isso que essa compulsão serve apenas para prejudicar. Deixo muito de sair para certos lugares porque posso cair em tentação. Passo longe de pessoas que oferecem cartões e outras que dão amostras grátis de produtos, porque a vontade bate e fica.
E quando não tenho o dinheiro para gastar, eu fico deprimida, de mau-humor.
Estou melhor do que há um tempo atrás, mas preciso melhorar, e muito. E tentar, quem sabe ser normal.
*Ler os "Delírios de Consumo de Becky Bloom", foi como ler a minha vida. Todas as sensações possíveis que eu sinto estão ali. Leiam e depois vejam o filme. Recomendo.


Eu tenho compulsão por DVDs e livros... comofas/
ResponderExcluir=P
Ai, bee. Sei muito bem como é isso. Peguei minha fatura do cartão hoje, e R$400. Tipo, ONDE EU GASTEI ISSO?! Eu não sei ...
ResponderExcluirPra mim, não viria nem R$200..
Quando acabar a greve, eu bem vou lá pedir pra diminuir o limite, pq senão fica difícil..
Eu entendo perfeitamente o que você quer dizer quando fala que as propagandas mostram o tempo todo que nós precisamos disso, daquilo, e por aí vai...
Temos que encontrar forças sei lá onde. Também não sou rica, tenho que lutar contra os meus impulsos, porque quando acaba, acaba mesmo!
Tamojuntas!
;)
Gata, vc nao é a unica q sofre! Eu tb sou assim! Eu acho q é por isso q meu pai nao quer me dar cartao de credito hahaha, quando eu estudava nos EU td dia eu passava no shopping pra comprar alguma coisa. hahaha, fazer oq neh?
ResponderExcluirA gente é assim...